29/11/11

a noite do dia

a noite torna-te em dia, lava-te
a cara e o corpo tresanda a morte
que te persegue continuadamente.
Sentes o mundo a pulsar nas tuas veias e
a consumir o teu coração.
Fábricas, máquinas, destruição, morte, destruição, tortura e a breve
mas estonteante sensação de já lá ter estado,
sofrimento, dor, morte, morte, as serras a cortarem-te e a colarem-te
os braços para os serrarem outra vez, e mais outra e outra e outra.
Esta brisa de noite tornada dia...

18/11/11

Cap IV - Abertura

aconchega-se a si próprio. chora. as lágrimas acumulam-se no canto. e misturam-se com a água que escorre do chuveiro. merda. é só o que ele pensa. merda. merda. merda.




Lentamente a luz começa a voltar. Lentamente D abre os olhos, regressa á realidade. Levanta-se, ainda com os olhos semi-cerrados. Uma tontura atingi-lhe e os ácidos de uma vida toda acumulada no corpo dele escapam de uma só vez pela boca. Começa a olhar em redor.
Poeira no ar, destroços no chão, gritos, berros, destruição. Pessoas a correr de um lado para o outro. Pessoas estendidas no chão, desfiguradas, ensaguentadas. Pessoas a empurrar outras pessoas. E um sabor estranho na sua boca. Sangue. Um corte na cabeça indolor, mas vermelho a jorrar pela cabeça abaixo. Está desorientado. Perdido. Mas sempre esteve e aprendeu a orientar-se na escuridão da lógica e sentido, sempre esteve sozinho. Beneath the stains of time, you are someone else. Dá um passo em frente. E outro. E mais outro. E rapidamente tem consciência do que o rodeia. O Caos que antes o perseguia, passou á frente e levou tudo o que o rodeava consigo, deixando nada mas destruição, morte, sangue. D. 20 anos. 20 anos que pararam no tempo, que pararam o tempo. Uma dor acutilante invade o corpo dele. Agonia. Dor. Raiva.  AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH. Que merda é esta, pensa ele.
O que aconteceu. Como. Porquê.  Raiva. Raiva e dor.
E escorrem-lhe lágrimas. Porquê, não compreende. Lágrimas que custam a sair. Que doem. Que fazem cicatrizes profundas na cara. Que lhe marcam permanentemente. E um longo traço que lhe percorre a bochecha esquerda. Lágrimas. De dor. De tristeza. De felicidade. Dor. Apenas dor.
E cai em si outra vez. Toda a dor que tinha dentro de si, espelha-se no seu redor. Espelha-se em tudo o que o rodeia.
Alguém agarra-lhe no braço. - Vem, rápido, temos de fugir daqui!!
Ele reconhece a voz, mas não sabe de onde. A dor é mais forte que ele, descuida-o e deixa-se levar. Não consegue controlar-se, não tem energia. Está esgotado. Física e energeticamente para pensar nisso. Mas cai. As pernas vacilam e não aguentam mais. Toda aquela energia esgotou-o. Toda aquela Dor deixou-o assim. Morto. Desgastado. Os olhos voltam a fechar-se, regressa ao casulo. Regressa a casa. Regressa á escuridão.
E de lá não sai.
Não quer sair.
Mas a voz teima em chamá-lo.
A voz.
Ela.
D sabia que era ela. Mas isso não adiantava o facto dele estar morto. Dele estar.........
-Volta, não te deixes ir! Precisamos de ti!
- (Não, deixa-me ficar aqui. Não há nada para mim aí)
-Por favor, volta! Precisamos de ti! EU preciso de ti!
-(...............................................................................)

14/11/11

Cap III - Ínicio

Algo lhe pareceu mais solarengo neste dia. A chuva caía, os relâmpagos falhavam o alvo por metros, no entanto algo o deixava feliz, completo, uno com alguma coisa...

Caiu na real. O elevador já o levava ao topo do edifício mais alto da cidade. Algo o chamava ali, como se o destino o quisesse lá por alguma razão, como se o futuro dele, passasse por ali, a razão de se levantar da cama, de sair... Elevador vidrado. Mais sofrimento para ele até que chega ao topo. Ah o céu. Aquele amarelo poluído de vomitado. D não compreende, não faz sentido. Será só ele que se pergunta porquê isto, onde é que nós errámos estupidamente para isto acontecer, onde é que o ser humano deixou de ser humano e passar a pensar apenas na destruição inconsciente deles? As nuvens e o céu azul à muito que passaram a ser um mito... A chuva caí do céu amarelo vomitado. Como é que as pessoas não querem mudar?
Olha á sua volta. Pessoas. Pessoas...
A chuva começa a irritá-lo. Põe o capuz. Encosta-se na amurada.
Prédios. Prédios prédios e mais prédios. Toda magnificiência do ser humano traduzido em prédios de betão e cimento, podres do tempo de existência que eles têm, podres da vida que são obrigados a albergar, podres, simplesmente podres. As poucas árvores que sobrevivem tentam em vão alegrar a vida das pessoas. Do topo da torre onde se encontra, olha para baixo. E vê dor. Vê violência. 
E não percebe. Sente-se enojado. E tenta pensar na sua infância. Nos bons tempos que teve. Na felicidade que sentia. O sol. O verde das florestas. Olha para cima. Algo está a observá-lo. Algo estranhamente familiar. Uma figura.
Mas rapidamente se distraí e volta ao mundano. Está preso a ele. Não consegue escapar. Não pode escapar. Ninguém pode fugir, estamos presos, e vamos ter de cair ao fundo para voltarmos a escapar. 
Sofre. Por dentro. Aquilo que sentiu tarda em irradiá-lo de novo. Prepara-se para ir embora. Dá uma última olhadela ao que o rodeia. Algo está diferente. Sente que algo vai acontecer.
Entra no elevador. Sente os olhos fixos em si. O olhar das pessoas. Mas uns olhos especiais encontram-se ali.
Ela estava ali. Os mesmo olhos castanhos.
E algo o impeliu a ir ter com ela.
Algo o impeliu a olhá-la directamente nos olhos.
Algo saiu da boca dele.
-Olá
-Olá!
- Como te chamas?
-Chamo-me... E nesse momento começou. Uma luz ardente desceu do céu. E de repente outra. E mais outra. Cada vez mais perto. Cada vez mais perto, cada mais luminosa, cada vez mais vermelha até que......



Escuridão.
Completa escuridão

12/11/11

Cap II - D

Corre, corre e não olhes para trás, ninguém te vai apanhar quando caíres, estás por ti próprio

O suor escorre-lhe pela cara, sentado na cama, sobressaltado e completamente alerta. Sonhou. Algo que não acontecia há muito, muito tempo. Sonhou com ela. Chamou-lhe de C. A rapariga dos olhos castanhos que teima em lhe consumir os pensamentos, continua e progressivamente até que o leve pensamento o intoxica e perde-se na longa procura dela. 
Sentado á mesa, os parcos cereais que pousam na colher, o leite, azedo, os vómitos a virem ao de cima. Uma barata percorre o tampo da mesa. A mão estende-se para lhe acertar, mas um impulso para-o, quase como se alguém estivesse ao lado dele e lhe bloqueasse o braço. Dá os poucos cereais ao insecto, que naquele momento era maior e mais profundo que a existência de D.
Exterior. A mesma chuva de sempre. Os prédios, monumentos á estupidez humana e à sua lenta destruição e degredo. Há muito que D caminha sozinho. Os pais morreram no último surto. Foi o único sobrevivente da vila onde morava, e semelhante a outras vilas e cidades que foram dizimadas veio para a cidade, o único local que ainda se encontrava protegido do surto, e aí conseguiu sobreviver por mais uns tempos. Até que o surto chegou. E levou com ele grande parte da civilização. E D ficou sozinho outra vez. Sobrevive com o pouco que arranja, em lutas, em apostas e a roubar, se for preciso. Sonha em sair da parte velha da cidade e ter uma vida melhor. 
Uma sensação estranha percorre-lhe o corpo, uma sensação de tremura, e uma voz soprou-lhe ao ouvido algo que ele não conseguia perceber bem, algo estranho, algo de novo. Olhou em redor, não viu ninguém. Olhou para cima. A mesma figura no céu, mas desta vez pareceu mais perto. Tentou perceber se era o único a ver, mas ninguém olhava para cima. Todas as pessoas olhavam para baixo, como se nada os perturbasse e continuassem na triste vida que levavam. Mas nada. Nada. O que era isto que o fazia sentir-se tanto bem como terrivemente apreensivo e negativo. O que era esta sensação, de conforto desconfortável? D não percebia. Mas alguém o observava.
Alguém com olhos castanhos

11/11/11

Parte I - Caos

Era possivelmente um dia como os outros, negro e chuvoso, como os últimos anos nos habituaram, uma lenta e progressiva caminhada para o fim, como todas as pseudo criações do homem. No parapeito da janela, ele contempla o que o rodeia, prédios gigantes, maiores que o alcance da visão dele, reluzentes pelas luzes que deles mesmos emergem e tentam em vão iluminar a rua, iluminar a escuridão que assola a cidade. D. 20 anos. Assolado pela dor de não saber o seu lugar, resigna-se a sobreviver pelas ruas, eterno sonhador, eterno vagabundo desta vida que não é a dele mas que é forçado a viver.
Atrás dele encontra-se o Caos, ele é o Caos espelhado no mundano sujo e pastoso que reflecte no espelho continuamente, como a água que escorre pela banheira rota e infiltra-se nos andares debaixo, corroendo o chão, arriscando-se a colapsar tudo como a vida dele.
O dia passa devagar. Ou será noite? D perdeu a noção disso tudo, limita-se a vaguear. Saiu de casa. Passeia pelas ruas desprovido de qualquer sentido de orientação, os pés é que o guiam, de olhos fechados. Chove e as lágrimas misturam-se com a chuva just die already . Arrasta os pés pesarosamente, apesar de eles se mexerem por si próprios. O Caos persegue-o constantemente, atrás dele, segue-o como uma sombra, como a Morte.
Mas algo o fez levantar a cabeça. Algo o forçou a olhar para cima, para o escuro céu e nele viu algo distinto, algo como nunca tinha visto, uma luz, uma figura, mas rapidamente se desvaneceu, como um principio de algo mais, de algo melhor. Mas não, rapidamente caiu na real e voltou ao Caos que o persegue como a Sombra que cobriu o mundo e as ruas.
O Caos da cidade prende as pessoas a ele e não as deixa fugir, estão profundamente, intrinsecamente presos a ele.
Uma rua movimentada, o trânsito a fluir.
Sinal vermelho. A chuva a bater cada vez mais forte.
Verde. Avançou. D avançou por entre as pessoas, com a pressa de chegar a casa e desligarem por umas horas do Caos que nunca se deixa desligar.
Cada encontro, cada troca de energia, a ferocidade do olhar das pessoas é tremendo, sinal do Caos que as prende.
Mas nesse sinal verde
Nesse sinal verde, tudo ia mudar.
Uma troca de energia mudou tudo
Os fones funcionaram e tudo pareceu mais fácil
D viu-a, e ela viu D
A vida de D e do mundo inteiro iria mudar por completo, sem ele saber
Aqueles olhos castanhos
Aqueles olhos
Aqueles

10/11/11

Prólogo

Ao seu redor apenas ruínas se estendiam, por milhas e milhas em redor, estendendo-se até o mais infímo canto do seu coração.
Um grito que rasga a escuridão e o obriga a voltar-se, mas não vê nada, apenas mais ruínas e destruição.
Até que sente alguém tocar-lhe no ombro
love can find a way
love can find a way
love can find a way
love might find a way
love will find a way
a voar

09/11/11

vou voar, até depois...
até ao outro lado, em que me espera
algo de falaciosamente enorme e
distante, sensível ao meu interior
mais complexo e puro, frágil
como um feto pois a energia que possuo
não é de leve aceitação nem sincronização,
encontra-se num nível diferente, nem superior
nem inferior, apenas diferente, volumoso
e indissociável da sua precoce e humilde
origem... um feto
sou um feto, no seu sentido mais cancerígeno
e poluente, um empecilho que aqui anda, para a maioria
se não todas as pessoas.
Mas o que eu sou, e o que elas não percebem
é que vêem mal, e escolhem ver o que querem, e não a realidade,
vêem com os olhos de quem fica e interioriza o passado e
não sabe aprender com ele, mas que ficavam intrinsecamente viciados
no passado, nas memórias, e não conseguem
perscutir uma sensação nova de vida, na qual o Amor
é mais forte que qualquer ataque, que qualquer morte,
que qualquer dor que se tenha instalado e façamos dessa dor
o nosso modus operandi, e não evoluamos com ela,
não aprendamos a ser melhores pessoas, não nos deixe ser livres...
vou voar
adeus
até depois

08/11/11

e de repente, do meio do nada, saí daquele buraco, saí da espiral em que me estava a introduzir, e a razão de tal foi tão simples, tão plena de verdade que mexeu nos mais recônditos interiores do meu corpo, inclusive naquele lugar que ficou tão negro, tão escuro de todo o passado que está na minha vida, de todas as marcas que foram feitas no meu corpo, de todos os cortes e rasgões que fiz a mim próprio. E pensar que umas notas, que umas palavras de repente fizessem tanto sentido, tanto poder...
A melodia cura e as palavras cauterizam
a pulsação dos graves que se entrecruzam com as do meu coração
prestes a rebentar, prestes a recomeçar do principio,
a ser único, a ser melhor e a ser completo
de repente, tudo fez sentido, tudo foi interiorizado
tudo foi
it is a world of illusion, in a spiral of emotions
são acordes duradouros e constantes estes, que teimam em percorrer-me
cada canto da minha mente, que me fazem tremer.
levam-me a locais nunca antes percorridos no entanto
são tão familiares que mais parece um reencontro com um velho amigo...

onde não te vejo, e peço que não te esqueças de mim, jaz
um muro, de frente para o mar, a levar com o pôr do sol
comigo lá sentado, a recolher energias para te levar e
fugirmos de tudo, sermos só energia e nada mais que nos
impeça de florescer e unirmo-nos com o resto do universo...

mas o que são estes acordes, que teimam em levar-me
para cantos da minha mente, que me fazem sonhar,
locais que a minha alma já percorreu noutras vidas
e anseia por os percorrer outra vez....
contigo....

06/11/11

Como uma brisa, rápida e veloz
Mas profunda e acolhedora
Que me atingiu e a hei de recordar
Como aquela onda que me deu alento
E felicidade como qualquer
Monte que tenha escalado,
Qualquer nota que tenha
Tocado...