Caiu na real. O elevador já o levava ao topo do edifício mais alto da cidade. Algo o chamava ali, como se o destino o quisesse lá por alguma razão, como se o futuro dele, passasse por ali, a razão de se levantar da cama, de sair... Elevador vidrado. Mais sofrimento para ele até que chega ao topo. Ah o céu. Aquele amarelo poluído de vomitado. D não compreende, não faz sentido. Será só ele que se pergunta porquê isto, onde é que nós errámos estupidamente para isto acontecer, onde é que o ser humano deixou de ser humano e passar a pensar apenas na destruição inconsciente deles? As nuvens e o céu azul à muito que passaram a ser um mito... A chuva caí do céu amarelo vomitado. Como é que as pessoas não querem mudar?
Olha á sua volta. Pessoas. Pessoas...
A chuva começa a irritá-lo. Põe o capuz. Encosta-se na amurada.
Prédios. Prédios prédios e mais prédios. Toda magnificiência do ser humano traduzido em prédios de betão e cimento, podres do tempo de existência que eles têm, podres da vida que são obrigados a albergar, podres, simplesmente podres. As poucas árvores que sobrevivem tentam em vão alegrar a vida das pessoas. Do topo da torre onde se encontra, olha para baixo. E vê dor. Vê violência.
E não percebe. Sente-se enojado. E tenta pensar na sua infância. Nos bons tempos que teve. Na felicidade que sentia. O sol. O verde das florestas. Olha para cima. Algo está a observá-lo. Algo estranhamente familiar. Uma figura.
Mas rapidamente se distraí e volta ao mundano. Está preso a ele. Não consegue escapar. Não pode escapar. Ninguém pode fugir, estamos presos, e vamos ter de cair ao fundo para voltarmos a escapar.
Sofre. Por dentro. Aquilo que sentiu tarda em irradiá-lo de novo. Prepara-se para ir embora. Dá uma última olhadela ao que o rodeia. Algo está diferente. Sente que algo vai acontecer.
Entra no elevador. Sente os olhos fixos em si. O olhar das pessoas. Mas uns olhos especiais encontram-se ali.
Ela estava ali. Os mesmo olhos castanhos.
E algo o impeliu a ir ter com ela.
Algo o impeliu a olhá-la directamente nos olhos.
Algo saiu da boca dele.
-Olá
-Olá!
- Como te chamas?
-Chamo-me... E nesse momento começou. Uma luz ardente desceu do céu. E de repente outra. E mais outra. Cada vez mais perto. Cada vez mais perto, cada mais luminosa, cada vez mais vermelha até que......
Escuridão.
Completa escuridão
Completa escuridão
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