18/11/11

Cap IV - Abertura

aconchega-se a si próprio. chora. as lágrimas acumulam-se no canto. e misturam-se com a água que escorre do chuveiro. merda. é só o que ele pensa. merda. merda. merda.




Lentamente a luz começa a voltar. Lentamente D abre os olhos, regressa á realidade. Levanta-se, ainda com os olhos semi-cerrados. Uma tontura atingi-lhe e os ácidos de uma vida toda acumulada no corpo dele escapam de uma só vez pela boca. Começa a olhar em redor.
Poeira no ar, destroços no chão, gritos, berros, destruição. Pessoas a correr de um lado para o outro. Pessoas estendidas no chão, desfiguradas, ensaguentadas. Pessoas a empurrar outras pessoas. E um sabor estranho na sua boca. Sangue. Um corte na cabeça indolor, mas vermelho a jorrar pela cabeça abaixo. Está desorientado. Perdido. Mas sempre esteve e aprendeu a orientar-se na escuridão da lógica e sentido, sempre esteve sozinho. Beneath the stains of time, you are someone else. Dá um passo em frente. E outro. E mais outro. E rapidamente tem consciência do que o rodeia. O Caos que antes o perseguia, passou á frente e levou tudo o que o rodeava consigo, deixando nada mas destruição, morte, sangue. D. 20 anos. 20 anos que pararam no tempo, que pararam o tempo. Uma dor acutilante invade o corpo dele. Agonia. Dor. Raiva.  AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH. Que merda é esta, pensa ele.
O que aconteceu. Como. Porquê.  Raiva. Raiva e dor.
E escorrem-lhe lágrimas. Porquê, não compreende. Lágrimas que custam a sair. Que doem. Que fazem cicatrizes profundas na cara. Que lhe marcam permanentemente. E um longo traço que lhe percorre a bochecha esquerda. Lágrimas. De dor. De tristeza. De felicidade. Dor. Apenas dor.
E cai em si outra vez. Toda a dor que tinha dentro de si, espelha-se no seu redor. Espelha-se em tudo o que o rodeia.
Alguém agarra-lhe no braço. - Vem, rápido, temos de fugir daqui!!
Ele reconhece a voz, mas não sabe de onde. A dor é mais forte que ele, descuida-o e deixa-se levar. Não consegue controlar-se, não tem energia. Está esgotado. Física e energeticamente para pensar nisso. Mas cai. As pernas vacilam e não aguentam mais. Toda aquela energia esgotou-o. Toda aquela Dor deixou-o assim. Morto. Desgastado. Os olhos voltam a fechar-se, regressa ao casulo. Regressa a casa. Regressa á escuridão.
E de lá não sai.
Não quer sair.
Mas a voz teima em chamá-lo.
A voz.
Ela.
D sabia que era ela. Mas isso não adiantava o facto dele estar morto. Dele estar.........
-Volta, não te deixes ir! Precisamos de ti!
- (Não, deixa-me ficar aqui. Não há nada para mim aí)
-Por favor, volta! Precisamos de ti! EU preciso de ti!
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